sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nem todo carnaval tem seu fim, mas princípio de elitização


Apesar de passados dez dias desde o último suspiro de folia em Salvador, com o arrastão da quarta-feira de cinzas de Carlinhos Brown e Ivete Sangalo, a agonia das réstias deixadas pela "maior festa popular do mundo" só termina neste domingo, prazo dado para o desmonte das estruturas dos camarotes nos três circuitos do carnaval.

No entanto se mantém nos outdoors por toda a cidade os agradecimentos de bandas, blocos e dos próprios camarotes à presença maciça do público durante os festejos, sua animação e vibração perante a música, a azaração e todos os demais elementos cristalizados na cabeça dos milhares de participantes destes infindáveis redutos elitizados dentro da tal festa popular.

E de onde vem essa elitização? Fenômeno atual? Construção histórica?

Como pesquisador, estive na última semana catalogando material referente ao sambista Assis Valente, compositor de canções que fizeram sucesso nas vozes de gente como Carmen Miranda, João Gilberto, Chico Buarque, Nara Leão, Elis Regina e Luiz Gonzaga, entre outros. O trabalho faz parte da colaboração para a biografia de Assis, que será escrita por Gonçalo Júnior.

Também foi alvo de minha atenção a celebração momesca das três primeiras décadas do século XX, época em que o saudoso sambista compunha aos borbotões, e quando os pulos de alegria de trabalhadores, patrões e famílias já eram dados de maneira discriminada, conforme conta o historiador baiano Cid Teixeira no livro Carnaval na Bahia - Um registro Estético.

Em seu texto intitulado "Carnaval entre as duas guerras" Teixeira esmiúça, de forma direta, toda a depreciação da imprensa com relação aos grupos de Afoxé, formados apenas por negros, bem como a clara separação dos blocos populares, frequentadores da Baixa dos sapateiros, e os empresários que colocavam as filhas para desfilar em suntuosos carros alegóricos no centro.

Durante os "loucos anos 20" as mulheres começavam a se desprender quanto às fantasias e vestimentas, os homens endinheirados inventavam fantasias exageradas mas distintas, querendo a volta dos clubes onde se separavam das classes menos favorecidas, e o povo destilava sua ironia e crítica aos políticos nas marchinhas.

Quando o cancioneiro popular se volta contra as elites

Foi a partir dessas músicas, como as criadas pelo mestre Aristides Júlio de Oliveira, conhecido como Moleque Diabo, que candidatos à presidência como o mineiro Artur Bernardes e ditadores como o gaúcho Getúlio Vargas e seus integralistas foram malhados. Nesse momento surgiram outros músicos do gênero, como Josué de Barros, Assis Valente e Dorival Caimmy.

Dorival Caimmy era membro do conjunto Três e Meio, formado também por Alberto Costa, Zezinho Rodrigues e Adolfo Nascimento, o Dodô, um dos criadores do Trio Elétrico em 1950.

Após o fim do grupo, ao lado de Osmar, Dodô popularizou o som amplificado do frevo pernambucano e das composições da dupla em cima da chamada Fubica, pequeno carro recheado de adereços que deu origem ao que hoje se transformou em um instrumento de apelo comercial incomensurável no carnaval da Bahia e nas micaretas pelo Brasil.

Uma invenção genial, como o avião de Santos Dumont, da mesma forma utilizada para princípios completamente distoantes do ideal de seus inventores.

Expansão e mercantilização elétrica

Sem delongas quanto à história dos 60 anos do Trio Elétrico, algo que a TVE da Bahia vem desenvolvendo com vídeos bem informativos nas últimas semanas, me resumo a comentar o ponto onde se chegou através dele, que é a exploração do espaço nos circuitos pelos blocos fechados - com cordas, onde se paga para curtir a banda sem se misturar à "pipoca".

A área ocupada pelos que podem pagar pelos blocos de Chiclete com Banana, Claudia Leite e outros, unida às demandas gigantes dos camarotes, transforma a pipoca em sardinha, que ainda divide espaço com os catadores de latinhas e vendedores ambulantes, quando não são ainda mais espremidos pelos cordeiros, que obedecem à ordens superiores para achatar os desprivelegiados.

De toda essa pendenga, some-se a quantidade de lixo despejada e a urina eliminada em plena rua, a truculência policial, os furtos e brigas totalmente imbecis, e pense aí, na "maior festa popular do mundo", toda bonitinha e enfeitada pelo poder público para todos, mas aproveitada realmente por quem pode pagar por um lugar longe da "gentalha".

Sim, alguns elementos conseguem se divertir, porque vão aos blocos independentes, exemplificados por Armandinho - filho de Osmar, Novos Baianos, Moraes Moreira e outros, sem serem ameaçados por cotoveladas, cacetetes, pisões ou cordas, ou se esforçam para assistir a sensacionais blocos afro, como o tradicionalíssimo Ilê Ayiê, quando sai do Bairro da Liberdade.

Não venho aqui citar grupos musicais ou blocos para comparar qualidades, gostos ou opiniões, mesmo sendo contra essa bobagem de "Música do Verão", e modinhas como "Rebolation" ou "Lobo Mau", mas quero deixar meu pesar pela transformação estapafúrdia dessa festa num comércio sem fim que parte deles transformou a curtição que deveria ser da galera.

Amanhã, quando toda a parafernália metálica dos camarotes finalmente deixar a avenida, pode ser o momento de pensar nessa descontrução material e também conceitual, um processo complexo de reflexão sobre os seis dias de folia. Circuito novo? Mais segurança? Higiene de primeira? Nada disso vai adiantar enquanto o carnaval de Salvador não for democratizado.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Memória se perdendo nos jornais - Quando a tecnologia não supera a história

Encerrei ontem o segundo período de pesquisa referente ao filme Redenção, primeiro longa-metragem baiano, lançado em março de 1959, e que está sendo restaurado como parte do projeto de Memória de Roberto Pires, o diretor da película.

Entre uma infinidade de jornais antigos guardados na Biblioteca do Estado da Bahia(Barris), atento quase que exclusivamente às notícias que davam conta das peripécias dos membros da Iglu(Produtora do filme) na elaboração do trabalho, e também da expectativa da crítica especializada e do público para com a estréia, pude passar os olhos sobre outros inúmeros aspectos que diferenciam os jornais daquela época para os de hoje.

A linguagem noticiosa, a começar. A utilização de termos e a mudança de algumas palavras são naturais, mas como entender o fenômeno da inversão da ordem direta quando da elaboração dos títulos e subtítulos, do excesso de uso dos dois pontos(:) para introduzir o nome de um local após dizer o que lá se passou?

Reportagens começavam na primeira página e terminavam na terceira, mas sem pausa, com o leitor tendo de ser interrompido por um parênteses() com os seguintes dizeres: "Continua na página x", e tendo de ir até lá para não perder seu raciocínio. As notícias eram muitas, e mal distribuídas, e as fotos deixavam a desejar, assim como a diagramação.

Impossível seria exigir que naquela época houvesse tecnologia e instrução suficientes para tornar os jornais mais aprazíveis, fato que impede qualquer comparação estética com os existentes hoje.

Agora o que pode ser comparado e muito é a falta de conteúdo das publicações modernas perto do que se colocava diariamente há mais de 50 anos.

Está certo que entre outubro de 1958 e abril de 1959 - período que pesquisei, estourava a Revolução Cubana, a Guerra Fria esquentava, os marechais e generais brasileiros já se agitavam, Brasília era construída, mas será que hoje acontece tão menos que isso para os jornais se dedicarem a tanta fofoca, big brother, novela e dietas?

Sim, as colunas sociais já existiam, os destaques à alta sociedade também, incluindo as fotos das senhoras mais elegantes do pedaço, todas com o nome do marido(Ex: Sra. Manoel Dias da Silva), uma vez que no período nem o código civil nem a luta das mulheres era suficiente para abolir o machismo predominante.

Agora a quantidade e qualidade do noticiário geopolítico, esportivo, econômico e cultural colocava no chinelo qualquer jornalão atual, e isso com um número de páginas infinitamente menor, além de todas as restrições citadas no terceiro e quarto parágrafo deste texto. E a pergunta que vai para os jornais brasileiros de hoje é: O que aconteceu?

Internet em voga e cada dia mais utilizada para um complemento ao impresso, milhares de avanços e evoluções em termos de infográficos, programas de tratamento de imagens, difusão do conhecimento tecnológico, e se esquecem de pensar que ainda tem que existir palavras ali, e formas de misturá-las para cativar quem lê.

Parece até que o passar do tempo faz de quem escreve menos capacitado, e quem surge como inovador da ditadura da imagem, o salvador do jornalismo. Precisam os dois se integrar, sem que haja prejuízos para nenhum dos lados. Por que não um jornal esteticamente belo e com profundidade de análise, apuração e crítica? Ainda é possível.

Enquanto isso, a qualidade física do material pesquisado...

Dessa boa experiência de trabalho permanece um único lamento: O estado calamitoso de alguns exemplares encontrados na biblioteca dos Barris. Rasgados, amassados, dobrados e com orelhas, muitos esfarelando e colados com durex, exemplares do A Tarde, Diário de Notícias, A Bahia e O Estado da Bahia pedem socorro!

Se foi essa administração ou a anterior que deixou a memória do estado nessa situação não me interessa. Só me importo com as pessoas que virão depois de mim para conseguir alcançar, com suas pesquisas, os resultados esperados, sem perder nem uma letra.

domingo, 20 de dezembro de 2009

A opinião divergente que amplia o conhecimento

Já dizia o filósofo Voltaire: "Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito em dizê-la". Frase eternizada através da luta ativa pela tolerância, o respeito e a liberdade de expressão, mesmo essas três virtudes não sendo ainda valores universais em nosso mundo mundano e sujo.

Lembrar desse pensamento sempre faz com que nós, seres humanos, tenhamos apropriado ao nosso ser opiniões divergentes, sejam elas atuantes sobre a visão política, o futebol, a arte, ou o sentido da vida, e vindas das mais diversas origens. Do colunista do jornal, do amigo no buteco, da Dona Maria cozinheira ou do seu Zé da padaria.

O exercício diário de ouvir, ler e assistir a essas intervenções causa, de maneira extremamente interessante, a ampliação do nosso conhecimento e, consequentemente, nossa valorização enquanto pessoas. Dentro das discussões desenvolvidas, respeitamos, toleramos e concedemos liberdade. No entanto, sem jamais desistirmos de nossas ideias e ações.

A construção desse raciocínio surge quando se pensa nos enormes benefícios trazidos por meio de cada contribuição dos indivíduos que, de forma rápida e simples ou contínua e complexa, nos mostram meandros das reflexões cotidianas por onde jamais imaginaríamos nos instalar, ou ainda não havíamos arriscado a voar.

Levado a cabo esse pensamento, todo o processo de apropriação se desenvolve de forma espontânea, seguindo os estudos do teórico da psicologia social, Vygotsky, que tratam da ligação entre a história da sociedade e o desenvolvimento do homem.

Para Vygotsky, "a aprendizagem sempre inclui relações entre pessoas. Ele defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa. O desenvolvimento é pensado como um processo, onde estão presentes a maturação do organismo, o contato com a cultura produzida pela humanidade e as relações sociais que permitem a aprendizagem. Ou seja, o desenvolvimento é um processo que se dá de dentro para fora."(Trecho retirado do site http://www.euniverso.com.br)

Toda essa teoria, no entanto, só tem garantido um bom resultado quando vai incluída no seu bojo a livre manifestação dos indvíduos ou grupos. Dessa forma é possível receber as opiniões alheias com tolerância e aplicar o conhecimento adquirido, organizando, instintivamente, a abordagem aos diversos assuntos que fazem parte do dia a dia. Tornamos essa possibilidade real quando, a cada troca de palavras, executamos, mesmo sem intenção, o que aprendemos em um diálogo, leitura ou visão anteriores.

Os dois pensadores citados neste texto não são contemporâneos, nem analisam aspectos do conhecimento humano de maneira semelhante. Suas teorias aplicam-se a diferentes áreas, psicologia e filosofia, e tem alcances inimagináveis que não se resumem às frases postadas aqui. Mas o relacionamento entre cada um desses pontos foi apenas um jeito de tentar explorar a essa experiência no papel(ou na tela do computador), que já venho tendo na prática há bastante tempo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Morte de uma entrevista anunciada

Acordei bem disposto, tomei banho, aparei a barba, coloquei aquela camisa no corpo e aquele gel no cabelo, todo o estereótipo padrão preparado, chato e infelizmente necessário, visando garantir uma entrevista tranquila para a reportagem da nova revista que começo a fazer.

Indeciso sobre se pegaria o ônibus ou o táxi para chegar até o meu destino, distante pelo menos 9km de onde moro, resolvi pela segunda opção, dado o calor excessivo que me deixaria exposto às ações de minhas excitadas glândulas sudoríparas e a pressa para chegar.

No entanto após dez passos saídos do prédio me lembrei do esquecimento das perguntas já previamente preparadas, estudado o assunto durante mais de duas horas na noite anterior, para não incorrer em cagadas nem enganos.

Volto para o apartamento e na hora de abrir a porta não consigo porque a sua já comprometida fechadura quebra minha chave, e eu tenho de esperar por meu colega de apartamento atender à estrondosa campainha e me ajudar nessa.

Saio em polvorosa e custo a achar o transporte, até que chego em um ponto onde sei sempre está algum de bobeira. Entro feito um maluco e já vou passando as instruções do endereço, sem esquecer de cumprimentar o cara, como de costume.

A conversa flui muito bem, é um profissional gente boa, que se interessa pelo trabalho de seus clientes e suas origens. As risadas e as informações vão tranquilas, mesmo com o trânsito monstruoso ali ao lado, até o maldito celular começar a vibrar e tocar.

Do outro lado da linha, a temida secretária do entrevistado, com voz de sono, me quebra no meio. "Infelizmente surgiu um imprevisto porque o senhor x foi ao dentista e devido a uma anestesia não poderá conversar hoje. Vamos ter de remarcar." Encerra.

Digo logo que tudo bem, abstraio, penso, faço xingamentos silenciosos incontáveis, e desligo logo o telefone para não proferir besteiras. Peço ao camarada taxista que faça o retorno e me deixe em casa, e me despeço com R$20 a menos na mão e um milhão de ideias na cabeça.

Chego em casa, tomo minha gelada e sagrada água, reflito novamente e tenho novamente de abstrair. O trabalho continua em outras frentes - clipagem, livro, assessoria, e o que mais vier, e não é uma falta de atenção em me avisar com antecedência que vai me desestruturar.

Alguns diriam: "Não devia ter saído de casa hoje". Outros gritariam, dariam murros em paredes ou em portas, quebrariam copos ou rasgariam papel, mas eu passei dessa fase grotesca. Estou mais tranquilo do que nunca.

A toada segue e a melodia não pode parar. Mesmo que haja sempre algum descompasso de um instrumentista insistente em errar.

A entrevista foi como Santiago Nasar, do livro Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel García Márquez. Já sabia de seu bater de botas antes de acontecer.

Mas não descansarei para ficar remoendo e chorando o falecimento. Antes que a ressuscite, vou me ocupar com aquelas que continuam vivas.

domingo, 22 de novembro de 2009

Guerra entre Colômbia e Venezuela sai do papel

Apesar das informações ainda desencontradas e da falta de cobertura da grande mídia brasileira e internacional, parece que finalmente Colômbia e Venezuela vão deixar de lado as ameaças e partir para o conflito aberto.

Pelo menos é o que pensa o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Depois de pedir a seus compatriotas para "se prepararem para a guerra" no último dia 09/11, e remediar a declaração dizendo que "os militares venezuelanos são pacifistas e nos preparamos para a guerra para assegurar a paz, foi isso o que eu disse domingo", dois dias depois, ele informou ontem, em cadeia nacional, às 10hs de Bogotá, que a Venezuela está oficialmente em Guerra contra a Colômbia. As informações são da jornalista Andressa Gasparelli, que está na Colômbia.

O comunicado, no entanto, não apareceu do nada.

Segundo notícia postada no site da CaracolTV, da Colômbia, a Venezuela admitiu ter explodido duas pontes na região de fronteira, por acreditar se tratar de um acesso utilizado por narcotraficantes. Uma terceira ponte também teria sido destruída.

Ainda segundo a notícia, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, afirma estar fazendo esforços para evitar qualquer conflito armado, apesar de afirmar categoricamente que vai denunciar a Venezuela na OEA e na ONU pela invasão de território e por atentar contra os direitos humanos dos civis que vivem na região.

Em declarações à TV Estatal da Venezuela, o vice-presidente venezuelano, Ramon Corrizález, afirmou que nenhuma lei internacional foi violada porque não houve agressão alguma, tampouco invasão de território.

Disse também que o governo vizinho está manipulando as informações sobre o acontecimento, uma vez que elas escondem o verdadeiro incidente, que na visão dele é a Colômbia ter se tornado uma "base militar ianque".

Uribe, que recentemente assinou acordo de cooperação militar com os E.U.A, e Chávez, que tem nos estadunidenses seus maiores compradores de petróleo, devem agora, depois de incessantes e contínuos desacordos de interesses econômicos, políticos e em qualquer outra esfera, colocar seus poderios bélicos à prova, enquanto que o país detentor do total foco nessa região ainda não se colocou oficialmente sobre o caso.

Até o momento não se materializou nenhum confronto de fato, envolvendo exércitos, metralhadoras, helicópteros e o que mais for conveniente ao uso dos dois irresponsáveis países, cada qual com seu pensamento, Pró-Ianque ou Bolivariano. Mas a notícia das pontes explodidas é real, e todas as frases proferidas por cada governo também. Só não se sabe até que ponto a frágil diplomacia latino-americana poderá contribuir para evitar mortes desnecessárias.

Não bastasse o irremediável descontrole das palavras e das ações que devem culminar nessa guerra, o Vulcão Galeras, localizado em Ipiales, única rota segura de saída da Colômbia para o Equador, entrou em atividade às 03:00 h da madrugada, "cuspindo lava e cinzas em todas as direções, fazendo com que as autoridades começassem a evacuação de cerca de 300 mil pessoas de cidades e áreas próximas", segundo relata Andressa.

Para quem está viajando pela região ou pretende chegar em breve, é preciso muito cuidado. A jornalista afirma que grande parte das estradas colombianas já está militarizada após a destruição das pontes e as declarações de Chávez e de Uribe.

A questão é saber qual a real amplitude de toda essa conjuntura, afinal o Brasil, insistente em apaziguar os ânimos dos dois, também já tem área de fronteira coberta de militares colombianos e não deve permanecer inerte, seguindo a sua "nova ordem geopolítica".

Em reportagem deste domingo, na Caracol TV, Chávez disse estar sendo elaborada uma "grande operação midiática" para colocá-lo como "quem está preparando uma guerra".

Na visão do presidente venezulelano, quem está sendo agredida é a Venezuela. Isso porque o acordo Bogotá/Wasington seria mais um golpe do imperialismo contra o país, uma vez que a Colômbia serviria de plataforma para ataques oriundos das ordens estadounidenses, tendo a Venezuela como "alvo número um".

Em meio a todas essas respostas atravessadas, a Venezuela sofre com o racionamento de água. Também há rumores sobre o corte do fornecimento de gás por parte da Colômbia ao país, e de energia elétrica ao Equador, governada por Rafael Corrêa, aliado de Chávez.

O governo colombiano nega.

E a parte fria que cabe à guerra, na cabeça dos indivíduos, se mantém. Por enquanto.