quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Do mau senso, egoísmo e outras leis próprias dos canalhas
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Comemoração pela vida que segue
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Fase arquitetônica em voga
Nessa postagem, entrevista da arquiteta Teresa Cristina Simões, que fiz para a revista em que trabalho, mas que não foi publicada devido ao seu conteúdo fugir do aspecto comercial que a publicação prega.
Arquiteta realiza estudo que propõe fim do desperdício de tempo, material e dinheiros nas obras públicas
Teresa Cristina Simões aponta os melhores caminhos para tornar as construções públicas realmente sustentáveis
Estudar e propor, ainda na fase dos projetos, uma maior durabilidade das edificações públicas, redução dos custos de obra, das manutenções prediais e de operacionalização do prédio, inclusive com relação ao desperdício de energia e água. Apontar soluções de projetos que encarecem as construções públicas, quer por alternativas de terrenos impróprios, pelo partido e/ou solução arquitetônica adotada sem estudo criterioso, inclusive de implantação, ou pela escolha de materiais de construção inadequados. Com esses objetivos, a arquiteta soteropolitana Tereza Cristina Simões vem desenvolvendo um trabalho minucioso e que descreveu com detalhes em entrevista exclusiva.
Combustão Instantânea - Como surgiu a possibilidade de elaborar esse artigo? Quais eram as suas principais motivações enquanto arquiteta, em termos de experiência e indignação com o tratamento relegado aos projetos públicos urbanísticos e arquitetônicos?
Tereza Cristina Simões - Estava fazendo uma Especialização em Gestão Pública e escolhi este tema pois sempre tive uma preocupação de como os profissionais do setor público, em especial Engenheiros e Arquitetos lidam com os recursos públicos. Considerando que os gastos públicos estão diretamente associados à necessidade de arrecadação de impostos, que vivemos em um país em desenvolvimento e que temos carências em praticamente todos os serviços públicos, o uso responsável destes recursos, deveria ser prioridade das gestões, porém isto não ocorre, penso que por falta de consciência dos profissionais, falta de compromisso com o país e até mesmo por desconhecer ou não associar suas decisões com os desperdícios.
CI - De que forma enxerga a falta de preocupação dos gestores públicos e também dos profissionais da área em adotar medidas sustentáveis financeiramente no momento de escolher os materiais e os locais de construção?
TCS - Acredito que por falta de informações e vontade de gerir com responsabilidade. Hoje está em foco o aquecimento global, a preocupação com o efeito estufa, o desperdício de energia, a necessidade de alternativas ecologicamente corretas, os “Edifícios Verdes”, para isto é necessário investir em conhecimento, atualizar os profissionais, ter como meta este ideal.
Outro aspecto é que na época da elaboração dos projetos nem sempre o foco é ter uma edificação cujo custo de manutenção e operacionalização seja otimizado ao maximo, visando economia, evitando desperdícios de energia e água, otimizando a manutenção das construções.
CI - Além da economia financeira, um dos destaques do seu artigo é o trabalho de redução do consumo de água, energia e outros importantes aspectos dos projetos. Existem planos para implementá-los com apoio do poder público?
TCS - Desconheço, penso que de inicio devera partir da consciência de cada profissional, cada um fazendo a sua parte, colaborando e sendo divulgador de suas soluções, tentando inclusive induzir seus superiores a abraçar esta idéia.
CI - Salvador é uma cidade que sofre com o excesso de umidade e de calor, além de ser alvo da especulação imobiliária. Qual a alternativa que você entende ser necessária à melhoria das condições dos prédios públicos, para evitar que se tornem obsoletos ou inúteis diante dessas questões?
TCS - Precisamos de inicio conscientizar os dirigentes quanto ao uso dos recursos públicos, deixando claro que ele é publico e não privado, que ele não deve ser usado para satisfazer seus egos pessoais, mas sim, deveram ser otimizados em bem dos serviços a serem oferecidos. Devendo ter seus espaços bem definidos, em dimensões que atendam tanto aos usuários quanto a seus funcionários, pois um local de trabalho agradável e coerente gera funcionários satisfeitos, com mais vontade de servir.
CI - Por que os arquitetos e projetistas, ao longo dos anos, evitaram desenvolver junto aos órgãos governamentais trabalhos que estivessem de acordo com esses princípios, voltados a preservar os prédios através de fundações bem estruturadas e produtos de alta durabilidade?
TCS - Por falta de consciência e compromisso, pois é mais fácil continuar fazendo o mesmo do que repensar e sugerir mudanças, afinal fazer “o novo” requer tempo, estudo, determinação e força de vontade, abraçar a idéia e ser inovador. Como no Serviço Público tudo é para “ontem”, de acordo com os interesses políticos do momento, muitas vezes não temos nem tempo nem espaço para propor mudanças.
CI - Qual a previsão de benefícios que as construções verdes podem proporcionar? Existem maneiras de adapta-las a prédios já existentes ou é necessária uma ampla reforma no local para implementá-los?
TCS - Os benefícios são inúmeros, embora este tipo de construção seja um pouco mais cara, em poucos anos o custo beneficio compensa. Penso que esta será o tipo de edificação de um futuro bem próximo, trazendo benefícios financeiros, ecológicos, operacional, de manutenções, passando inclusive pela ajuda no combate ao aquecimento global. É possível, sim, adaptar aos prédios existentes basta querer, penso que seja um bom investimento.
CI- Com relação às escolas públicas da Bahia, onde em sua pesquisa você encontrou inúmeros casos de má-utilização e escolhas pouco recomendáveis de material e localização, quais são as principais recomendações para reestruturar os prédios e contribuir para a melhoria das condições oferecidas aos alunos e professores?
TCS - Faz-se necessário repensar a educação como um todo, com relação aos Projetos Arquitetônicos padrões, deveria ser analisado a região, os terrenos e as verdadeiras necessidades de cada local, os Gestores Públicos deveriam ter a liberdade e isenção para propor de acordo com as necessidades sem interferências políticas, os terrenos deveriam ser escolhidos tecnicamente, e o padrão a ser implantado respeitar as necessidades locais, e ter flexibilidade de alterações quando necessário.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Entrando numa onda nem tão nova assim
Como meu nome completo não é aceito pelo excesso de caracteres, aproveitei para pensar novamente através das palavras, e portanto me tornei @trovagiocondo.
Prometo acima de tudo não me ater a fatos como contos fúteis da minha rotina diária, nem mesmo a ficar seguindo twitteiros famosos só pela febre que muita gente tem por fazer isso.
Muito menos criar factóides em cima do que eles falam, algo que vem se repetindo incessantemente nas matérias de muitos ditos jornalistas por aí, como foi o confronto Bel do ChicletexNizan Guanaes.
Mesmo sendo uma ferramenta importante para a divulgação de informações, não acredito que o microblog já tenha cacife o suficiente para ser fonte de credibilidade incontestável, até porque ainda confio mais num velho gravador, câmera ou microfone.
Apesar disso, ele já se mostrou interessante, pelo menos no tocante a jornalistas amigos que conheço, para fins de divulgação promovidos por assessorias de imprensa, blogs ou jornais.
Dou minha palavra de que vou voltar a escrever no blog. Os meses de abril e maio foram um tanto caóticos e confusos em minha vida pessoal, algo que não cabe aqui, e portanto não houve nenhuma colocação referente a nada.
Espero que os "gorjeios" feitos a partir de agora possam extrapolar a ideia inicial de quando estes começaram a ser feitos, como solução para uma empresa de informática sem perspectivas, no longínquo 21 de março de 2006, quando seus funcionários "inventaram" a tecnologia.
Quando a inovação surge, deve ser usada para beneficiar as pessoas, e se o twitter se mostrou propenso a essa ação até o momento, eu o usarei sem pestanejar, atento a qualquer desvio de objetivo que possa causar.
A linguagem do blog, mesmo limitada em número, continua com força igual por lá.
Que as entidades internéticas me protejam!
terça-feira, 23 de março de 2010
Réquiem para uma UNESP sem sonhos
Minha terça-feira à frente do computador surpreendeu em rendimento como há muito não acontecia.
Ao ler o e-mail do amigo eterno Bruno Terribas, jornalista e petroleiro afeito às boas novidades dos movimentos sindicais e estudantis e também das viagens pelo Brasil, me deparei com a indicação, já provida do devido comentário capcioso, de um vídeo de rap elaborado por alunos da UNESP de Bauru, onde por quatro anos e meio investi meus conhecimentos, amores e amizades.
O clipe, disponível no endereço http://www.youtube.com/watch?v=qwPUXDvrQF4, de 3'18" tem à sua frente alunos e ex-alunos dos cursos de Rádio e TV e Jornalismo, tanto cantando quanto dançando sob as batidas eletrônicas e frases prontas do MC Very D. Cool, antigo vocalista de uma banda de rock que eu até gostava de ouvir nas festinhas de república.
Sob o "rap universitário da quebrada", aparecem versos repetitivos sobre os momentos de devassidão vigiada dos unespianos placebistas, com os vídeos correspondentes incluídos.
Traduzindo para uma linguagem mais própria, se endeusam momentos como o INTERUNESP, "torneio esportivo", digo, desculpa esfarradapada pra beber e azarar até cansar de maneira superficial, em termos de sua amplitude como ser considerado o maior encontro de universitários do Brasil, em busca de desejos reprimidos que, segundo a música "filho chapa a mãe não vê, filho vai pro Interunesp mãe acha que tá tudo bem".
Nossa! Como eles são bêbados, drogados, loucos, fazem sexo sem parar, e os pais nem sabem, ora essa! As mulheres de Franca mostram a bunda, outras correm nuas ao lado dos homens, eles caem pelo barranco bêbados virando cambalhotas! Quanta perversão! Eu não acredito que exista isso na UNESP! Ah! Mas só no Interunesp. Se você nunca participou é um perdedor, não aproveitou a faculdade. É um carneirinho perto de nós fodalhões!
A música segue a lógica de tentar se encontrar, nesses nichos de curtição, o máximo que um membro da universidade poderia ter, a última bolacha do pacote da história, ainda com o agravante de se dizer que Bauru é o melhor campus, e toda aquela pasmaceira e babaquice imbecil que fica se proliferando nos discursos vazios de quem tem a necessidade de acirrar esse ranking do melhor por nada.
Quem frequenta esse tipo de festa - eu inclusive já fui, em meu primeiro ano, está pouco se fudendo com isso, apesar de alguns demonstrarem, muitas vezes com brigas, xingamentos, e músicas, como as tocadas por baterias de cada uma e agora invariavelmente iguais nesse rap, a sua ânsia por ser mais e melhor, só sem estabelecer o critério para comparação sobre o que, como se fosse inerente ao contexto.
Há ainda claro, como não poderia deixar de ser, a afirmação da República própria enquanto lugar dos "manos sangue bom", onde se vive também só curtindo. Não me espantou no ano passado a campanha de premiação de uma empresa de bebidas com uma geladeira lotada de cerveja para a República que fosse votada como a melhor da cidade, e que claro massageou o ego como ninguém poderia mais, colocando mais uma vez o comportamento pouco significante dessas pessoas como o supra-sumo do exemplo de "quem é que manda na UNESP".
De boa mesmo. Cada um curte o seu momento, vive a sua vida de universitário. Tem as suas horas de festa, muitas na verdade, em que faz o que bem entende e pouco se preocupa com o que os outros pensam dele. Qualquer um já teve um porre e a consequente ressaca, transou com alguém ou mais uma dúzia de gente, fez um monte de merda e riu, diante da própria idiotice. Mas tem assim tanta necessidade de aparecer e querer provar que é o melhor nisso e que continua sendo o loucão? Espalhar aos quatro cantos e ficar se vangloriando, de que?
Tudo absolutamente normal, natural a qualquer um que adentre esse meio. Muitos são mais pudicos, conservadores, ficam na sua e não entram nessa onda por escolha própria. Agora porque é que temos de, mesmo após 2 anos longe da universidade, continuar a assistir o mesmo espetáculo deprimente, tonto, simplesmente isso, contando as peripécias universitárias como se, fora desse ambiente de baterias e atléticas, ninguém fizesse nada demais.
Em uma outra análise, o camarada Bruno, mais preocupado com a produção do vídeo, acredita que esse "é o caos que avança pelos últimos "redutos" de produção político-cultural até então relativamente independente do domínio do capital. Para ele, a tendência de se criarem gêneros (ou nichos de mercado) ditos "universitários" (ainda que nada tenham a ver com o conhecimento) faz com com que pessoas como essas vejam aí uma possibilidade de surgirem como "novidades", por mais forçado e ridículo que fique o resultado final".
Ridículo é pouco. E pior ainda é ver, no vídeo, várias pessoas que conhecia participando com toda a empolgação. Algumas delas até bem próximas do meu círculo de amizades, o que eu lamento profundamente. Sei que vão dizer que era só uma brincadeira, que eu levo as coisas muito a sério, mas não, não tenho como voltar atrás agora e compreender.
Torço mesmo para que tenha sido esse o objetivo, mas até que provem o contrário, desejo meus pêsames! Unesp, sem sonhos, ouça o seu réquiem e durma em sono profundo!
E quem achar esse vídeo engraçado por favor me avise!
