segunda-feira, 6 de abril de 2015

A horda e o lucro com a barbárie da nova geração


Nada pode ser mais intempestivo, ignorante e descolado da realidade que o raso raciocínio elaborado pelos defensores da redução da maioridade penal no Brasil para 16 anos.
O grau de virulência desses pensamentos é diretamente proporcional ao aumento astronômico dos números da violência que eles dizem que pretendem diminuir a partir da adoção dessa medida. Propor, votar e apoiar tal ação nada mais é que uma reação desproporcional e sem qualquer precedente de "sucesso" ante nosso sanguinolento cotidiano.
Poucas vezes na história a velha e ultrapassada Lei de Talião, adotada há cerca de 40 séculos na Mesopotâmia, foi tão utilizada para sobrepujar a Constituição de um país e fazer valer uma lógica na qual a ideia do "olho por olho e do dente por dente" passe por cima da dignidade humana e, consequentemente, nos deixe cegos e banguelas.
É exatamente este o modelo de retrocesso que a maioria dos nossos congressistas e seus lacaios apoiam para obter uma solução mágica que ponha fim à incessante endemia de assassinatos, assaltos, sequestros, estupros e outros crimes que atingem o Brasil. Julgar, condenar e encarcerar adolescentes a partir dos 16 anos como se estes fossem adultos.
A realidade dos presídios brasileiros que aguardam pela chegada dos jovens que cometeram delitos não mente, ao contrário de quem acredita que eles vão "pensar duas vezes antes de cometer um crime" caso a lei seja aprovada. Será mesmo!?
O índice de reincidência na criminalidade dentro do universo de presos que cumprem sua pena no Brasil chega a 70%. Traduzindo, de cada 10 pessoas que ganham a liberdade, 7 voltam a cometer crimes, sejam eles mais graves, menos graves ou semelhantes aos que cometeram para que ficassem atrás das grades.
O crime compensa, pois na maioria das vezes, é a opção que resta ou então é a que melhor remunera. Na facção que domina os presídios de São Paulo, auto-intitulado o Estado mais rico, e também o Estado que mais prende e o Estado onde a Polícia Militar mais mata, uma boa colocação no bilionário mercado do tráfico de drogas após a concessão da liberdade paga quase 10(dez) vezes mais que um salário mínimo paulista. Definitivamente, o crime compensa. Ao menos financeiramente, não resta dúvida que sim.
Mas ainda existe "salvação". Dos 30% restantes não reincidentes, há os que se tornam religiosos, há os que conseguem um emprego de pouca monta, e há claro, os que voltam a cometer crimes, mas não voltam a ser presos. A cadeia não foi feita para recuperar ninguém, mas para doutrinar alunos e admitir novos "recrutas". Parafraseando texto publicado pelo escritor Frei Betto na última quinta-feira, 02/04, no site Pragmatismo Político:
Não existe, no Brasil, política penitenciária, nem intenção do Estado de recuperar os detentos. Uma reforma prisional seria tão necessária e urgente quanto a reforma política. As delegacias funcionam como escola de ensino fundamental para o crime; os cadeiões, como ensino médio; as penitenciárias, como universidades.
Ora, mas não é este o grande argumento dos arautos da moralidade que pretendem punir os adolescentes a partir de 16 anos com os mesmos critérios daqueles que já possuem 18? Se o temor de ser detido existe por parte de quem está prestes a cometer um crime, por que a reincidência é tão alta entre os adultos e por que os jovens seriam inibidos ao ponto de se "comportarem"? Penas mais pesadas? Se 70% dos adultos seguem sendo criminosos, submetidos a tais penas, o que muda para os adolescentes? Absolutamente nada. Seguirão cometendo delitos da mesma maneira.
O projeto de lei que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos atende a anseios de gente importante. Não a mim, nem a você, nem a uma maioria de uma pesquisa perdida, vítima ou não de violência por parte dos criminosos. Atende a uma horda de políticos, juízes, advogados, agentes penitenciários, policiais civis, militares e "jornalistas" que integram uma quadrilha diretamente interessada na não recuperação dos detentos de qualquer faixa etária.
Faço um especial para meus "colegas" da imprensa, que se deleitam todos os fins de tarde ou até mesmo na hora do almoço, a depender da região do país, cobrando das "autoridades" um posicionamento mais firme contra a criminalidade ininterrupta que campeia a cada esquina, incentivando a violência para responder à violência, exigindo os rigores da lei para punir os delitos, e lucrando altas cifras com a manutenção da audiência nas alturas, no mesmo patamar em que se encontram os índices de criminalidade.

O que seria de um abutre sem a fétida carniça, a carcaça podre e inerte!? Morreria de fome.
O sistema se retroalimenta. É um ciclo com funções bem definidas e organizadas. E se os mais de 500 mil presos adultos que atualmente sobrevivem nas penitenciárias do Brasil são insuficientes para atender às demandas da horda, há de se fornecer a ela mais para o seu sustento. E é aí que entram quem? Os adolescentes infratores, agora tratados como adultos.
Mas se a violência não diminuir, não haverá problemas, pois lá estarão os arautos da moralidade novamente para reduzir a maioridade penal para 15, 14, 13 anos. Mantê-los internados em casas de recuperação por um período limitado impede o pleno funcionamento do ciclo. Não importa a idade. O importante é fornecer a ração para a horda, insaciável.
A horda é basicamente formada pelos carcereiros e diretores corruptos que garantem aos peixes grandes privilégios mediante propina, pelo investigador que esclarece apenas 2% dos crimes cometidos, pelos magistrados que adotam a reclusão como o padrão para qualquer crime, seja ele grave ou não, pelo PM que tortura em busca de verdades inexistentes, pelos advogados literalmente de porta de cadeia, que ficam à espreita para explorar a inocência da família de um preso de baixo calibre, ou pelos deputados que patrocinam a violência por meio do tráfico de armas, de drogas, ou através de seu veículo predileto na imprensa.
A horda precisa de seu sustento, de seu quinhão, e não vai largar o osso. Ainda mais um osso assim, tão cheio de carne. O sistema penitenciário é um grande negócio. Não à toa, sua privatização foi consumada nos EUA e já é cogitada no Brasil. Para ter mais eficiência? Não. Para registrar lucros, sem intermediários. E enquanto os dividendos aumentam, novos Carandirus, Bangus e Pedrinhas seguirão existindo, com mais mortes, mais barbárie, mais violência. E agora com a presença de uma nova geração.

Ganha a horda, perdemos todos nós.

Veiculado também no portal Surubim News: http://www.surubimnews.com.br/a-horda-e-o-lucro-com-a-barbarie-da-nova-geracao/

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A espiral da incoerência que move a sociedade brasileira quando o assunto é racismo

Retomo neste sábado as atividades do blog, congeladas desde o fim das manifestações de junho de 2013, para tratar de um tema/crime que vem ocupando de forma mais recorrente o noticiário: O Racismo.

Matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo na edição de hoje, 22/02, relata a condenação de uma aposentada de 72 anos a 4 anos de prisão em regime semi-aberto por racismo.

Eis o link com a reportagem: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/02/1416238-aposentada-e-condenada-a-quatro-anos-de-prisao-por-racismo.shtml

Davina Castelli teve a prisão decretada pela Justiça de forma imediata.

O episódio aconteceu em um shopping da avenida Paulista, em 2012, quando a referida senhora se dirigiu a duas mulheres e um homem negros com os seguintes dizeres:

"Macaca, eu não gosto de negro; negro é imundo. A entrada de negros no shopping deveria ser proibida. Negro é favelado".

O que pretendo escancarar neste post é a incoerência e a interpretação por conveniência que devem contaminar a partir desse episódio a opinião e o discurso daqueles que defendem a lógica do "Bandido Bom é Bandido Morto", dentre outras "correntes de pensamento",  além de analisar de onde parte tamanho ranço proferido por essa mulher.

A idosa condenada é conhecida há tempos na região onde ocorreu o crime.

Com um andador como apoio, ela caminha por espaços públicos bradando impropérios e ofensas apenas contra pessoas negras.

Um atendente de farmácia, por exemplo, já ouviu: "Quero ser atendida por uma pessoa que seja da minha cor!"

O porteiro do prédio onde ela mora foi seu alvo: "Macaco! Volta pra selva!"

Um policial militar também foi humilhado por seus xingamentos.

Será que ela é louca? Tem transtornos mentais? Não.

Ranzinza? De mal com a vida? Talvez, mas isso nada tem a ver com o caso.

Para começo de conversa, o que move esta senhora de idade a continuar a xingar pessoas negras pelo fato de serem negras é a tão santificada "sensação de impunidade", lembrada por aqueles que são a favor da justiça feita com as próprias mãos ou mesmo da reforma do sistema penal, mas lembrada apenas quando tratam de homicídios, assaltos ou furtos, entre outros crimes.

A pessoa que insiste em manter essas ofensas como parte de sua rotina diária não só se considera acima da lei, que prevê a tipificação do racismo como crime inafiançável, como também acredita ser um ser superior aos demais, sobretudo aqueles que são violentados por suas palavras, os negros.

Davina Castelli é aposentada como funcionária jurídica da Aeronáutica, e após ser notificada sobre o sétimo boletim de ocorrência em que era acusada de racismo, em vez de ser levada à delegacia, simplesmente disse que precisava tomar um remédio e se trancou dentro de seu apartamento.

Com o caso encaminhado aos tribunais pela primeira vez, ela não só não contratou advogado para se defender como também ignorou o oficial de justiça que foi lhe comunicar sobre o processo.

Vejam que foi essa desobediência à ordem que motivou a juíza a decretar a prisão da idosa, e não o racismo.

E apesar desse racismo ser tão evidente, os policiais civis que atenderam à ocorrência tentaram convencer os três negros ofendidos a não registrarem o caso porque "não iria dar em nada mesmo".

Pois não é que deu!? Além da condenação, ainda uma multa em caráter indenizatório de quase R$30 mil a cada uma das pessoas atacadas pela idosa.

Mas o que mais deve incomodar neste momento aos racistas enrustidos, aos legalistas de plantão, aos justiceiros da sociedade e até mesmo aos defensores de velhinhas indefesas é a espiral de incoerência em que podem entrar ao analisar a conjuntura envolvendo esse caso e comparar sua própria reação diante de outros crimes considerados mais graves.

Os eternos defensores da lógica do "olho por olho, dente por dente" e sua musa Sherazeda, o que dirão?

Que uma gangue de black powers pode espancar a velha e a prender em um poste?

Calma lá, se ainda fosse um negro suspeito de cometer assaltos na zona sul do Rio de Janeiro, nós brancos e de classe média poderíamos fazer justiça com as próprias mãos, mas com ela é exagero.

Agora vou para os adeptos de Ku Klux Klan que só se revelam anônimos nos comentários de sites de notícias.

Acho que eles vão apelar para a liberdade de expressão que em um país democrático todos devem ter.

Ofender negros por serem negros, para esses indivíduos, deve se equiparar ao direito de criticar a política econômica do governo.

E quanto aos juristas, que na letra fria da lei, interpretam essa situação como "ofensa racista"?

"Potencial ofensivo pequeno", pensarão. Tem que ser punido, mas com razoabilidade. Pessoa acima dos 70 anos, pouca mobilidade - usa um andador, deve ter outros problemas de saúde.

Colocá-la para dormir na cadeia seria um distúrbio jurídico.

Vamos deixá-la em sua residência da avenida Paulista tranquila, ou na casa que tem no Guarujá descansando dessa situação estressante e onde se refugiou da realidade da sentença.

Mexer no bolso com a multa vai resolver...

Imagino agora a filha de uma das mulheres ofendidas, que com apenas 8 anos, viu a mãe sendo chamada de "macaca" por uma mulher branca, dentro de um shopping lotado.

Para que levariam isso em consideração? Afinal, que impacto vai ter essa ofensa na vida dessa criança? Nenhum não é mesmo!?

A senhora em questão inclusive, como não quis um advogado - provavelmente por achar que mais uma vez "não daria em nada", conta atualmente com respaldo da Defensoria Pública.

Tudo bem vai, vivemos em um país onde todos têm esse direito, apesar de uns terem mais direitos que os outros.

Os defensores já recorreram da condenação. Sustentam que as provas reunidas contra Davina Castelli são "frágeis" porque nenhum PM foi ouvido. Na verdade, dois deles são testemunhas do ato racista.

Frágeis!? Porra!


Vejam vocês mesmos:

Nestas imagens, gravadas pela TV Record, em 2011, a mesma mulher chega até dois PMs e exige que um morador de rua seja tirado do caminho por onde ela passava.

E com essas palavras: "Tirem esse lixo, tirem esse macaco da minha frente".

O "lixo" e "macaco" era uma pessoa com deficiência física, que se locomovia arrastando as pernas no chão.

Precisa de mais? Do que mais se precisa para condená-la? Precisa esperar que ela pegue seu andador e bata na cabeça de um negro paralítico até matá-lo?

Não precisa.

O que é preciso é as pessoas entenderem de uma vez por todas que o racismo, em todas as suas variantes, é inadmissível em nosso mundo e que precisa ser extinto, doa a quem doer.

Não importa quem o prolifere, o importante é minar qualquer tentativa de justificar esses ataques contra os negros e de querer taxar esses casos como de pouca gravidade.

Punir esse exemplo clássico de impunidade, sem tortura, sem ódio e sem agressões, mas também com critério e com justiça de fato, e não de conveniência, pode ser um bom começo para que nossa sociedade galgue um patamar superior e deixe a idade da pedra quando o assunto é humanidade e cidadania.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A hora e a vez do povo decidir por seus direitos básicos

Caro Congresso, não adianta só dinheiro.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1301477-camara-aprova-royalties-do-petroleo-para-a-educacao.shtml

75% dos royalties do petróleo do pré-sal para a Educação, 25% para a Saúde. 

Parece o ideal, mas não é.

Camaradas, pessoas, vamos seguir em frente!

Fiscalizar a aplicação dos recursos e se manifestar nas ruas e em entidades organizadas pela melhoria dos serviços básicos em todo o país são lutas que devem continuar a ocorrer.

Defendo para os dois casos uma gestão dos investimentos coordenada e supervisionada pela comunidade que deles depende e os trabalhadores, não por políticos e empresários que atuam em prol de seus interesses e em detrimento da população.

E listo Pautas básicas, só para começar: 

Ensinos infantil/fundamental/médio

-Reajuste imediato do salário dos professores da rede pública e abertura de concursos para contratação de mais docentes.

-Pelo respeito ao piso nacional da categoria.

-Direito de greve garantido sem desconto da remuneração, sem perseguições e punições por parte dos políticos.

-Bolsas para requalificação dos professores, planos de carreira, jornadas menores e mais flexíveis sem redução de salário.

-Por uma revolução completa nos serviços de merenda e transporte escolar. Pelo fim dos conluios entre Prefeituras e empresários que formam as máfias dos setores.

-Construção de novas escolas e recuperação das demais. Compra de materiais e equipamentos necessários sem licitações dirigidas, empresas fantasmas e superfaturamento.

-Pelo fim do déficit de vagas em creches, garantindo o benefício à mulher trabalhadora que precisa sustentar sua família. 

-Mudança completa nos currículos, começando pelo fim do ensino religioso e pela volta de disciplinas como sociologia e filosofia onde foram eliminadas, além de mais espaço para outras ciências humanas.

-Discussão sobre drogas e sexualidade sem hipocrisias, moralismos, conceitos deturpados, distante da visão dogmática das igrejas cristãs. 

-Por uma educação sem meritocracias e desenvolvida a partir do crescimento do aluno enquanto pessoa, e não como concorrente do outro.

-Garantia da segurança dos estudantes, funcionários e professores sem necessidade de blitze e ameaças da polícia.

Saúde básica

-Destinação de parte dos recursos para obras de saneamento básico - a falta de água e esgoto tratados é um dos grandes problemas das doenças endêmicas que ainda atingem e matam as pessoas em condição de miséria.

-Criação de infraestrutura completa de leitos e material para atendimento nas unidades básicas de saúde dos bairros mais pobres e cidades mais distantes, além de garantir o acesso da população a terapias mais avançadas em municípios maiores.

-Contratação via concurso de médicos, enfermeiros, auxiliares e outros profissionais de saúde, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, principalmente nas periferias e nos rincões e sertões abandonados pelo poder público.

-Investimento em pesquisa focado nos laboratórios de universidades e centros de excelência do setor, que devem priorizar estudos a respeito do combate e da prevenção a doenças "tropicais" - dengue, malária, febre amarela, verminoses, etc.

Colaborem e também mandem suas sugestões!


O momento é de seguir na luta, que só para não esquecer, é INTERNACIONAL!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Menos oportunismo por favor!


Destaco aqui impressões sobre os protestos desta segunda-feira em São Paulo, dos quais participei pela terceira oportunidade seguida. 

A percepção serve para o restante do Brasil.


Mais uma vez muita gente, mas infelizmente, com parte delas deturpando o foco do protesto, que é em primeiro lugar a redução das tarifas do transporte público.


Sim, concordo em parte e discordo em outras sobre demandas levantadas por aqueles que estiveram presentes, mas lembrem-se sempre, uma coisa de cada vez.


E coisas essas que devem estar longe de qualquer pauta da direitalha. 


Vi até cartaz pedindo redução da maioridade penal.


Aqui Não!


Vamos então às constatações básicas sobre o que se desenhou.




O nacionalismo em excesso faz mal à democracia. 

Aliás, é um atentado aos seus direitos mais fundamentais.

Já sustentou ditaduras na Alemanha, Itália, Espanha, Iugoslávia, Brasil, Argentina e Chile, só para falar das mais sangrentas.

Por isso, na hora de levantar sua bandeirinha verde-amarela e cantar o hino nacional, lembre-se que a prática da "Ordem e do Progresso" está em desuso.

É essa ordem que a PM tenta manter quando nos reprime, e esse progresso que os governos municipal, estadual e federal buscam de forma inconsequente e do qual discordamos profundamente.

A revolução não pode depender de máximas estabelecidas durante a vigência da República Velha e do Império Português.

É tempo de mudanças drásticas e profundas nesses conceitos também


Se quer usar uma bandeira do Brasil, que seja preta e vermelha, e com os dizeres "Desordem e Protesto"!



Os partidos políticos de esquerda integram o Movimento pelo passe livre desde o início dos protestos.

Não sou de nenhuma dessas legendas, mas não concordo que manifestantes que caíram de para-quedas nos atos tolham os direitos dessas pessoas em levantar suas bandeiras.

Liberdade de expressão acima de tudo!

Clamar para que rasgassem os estandartes dessas siglas a fim de arrumar confusão e dar munição à imprensa, além de dividir o movimento? Para que?

Precisamos agregar!

Quem critica as bandeiras, em 90% dos casos, não é apartidário, é apolítico.


A cara de pau dos reaças nas manifestações fede.

Pedem o fim da corrupção, querem a redução dos impostos, mas abandonam as pautas populares.

Não vão se criar aqui.

Fora herdeiros do "Cansei!"

Fora direitalha!

Fora aproveitadores!

Para complementar, leiam este manifesto que ilustra bem o que pude identificar: http://cafecomnata.wordpress.com/

A luta continua hoje, mas sem oportunismo por favor!

Nota positiva para a presença de crianças e idosos nos protestos.

Fato consumado, e não óbvio, que nunca é tão tarde nem tão cedo para começar a mudar o seu país.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Manifesto por um Brasil mais lutador


Antes de tudo, um esclarecimento.

O protesto contra o aumento da passagem do transporte público, do qual participo com muito orgulho desde a última terça-feira e que envolve diversos outros elementos inexplorados pela grande imprensa, não tem qualquer cunho político, apesar do que pregam Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Sergio Cabral e Eduardo Paes. 

Esse discurso de prefeitos e governadores é típico de quem teme a contaminação de outros setores da população pela revolta, o que na verdade já está acontecendo, para o desespero dessas autoridades.

Apesar de existirem partidos envolvidos nos atos, eles não representam a maioria dos manifestantes presentes.

Se resumem a colaborar com o todo, no que fazem muito bem.

Não temos líderes nem membros eleitos para manifestar nossas opiniões. Somos autônomos e livres para proteger e exigir nossos direitos.

Os atos contra o aumento abusivo da tarifa e por um transporte público de qualidade são legítimos e galgados em um levante popular sem precedentes nos últimos anos.

Que fique claro, de uma vez por todas. 

Não queremos desestabilizar ninguém de seu cargo por mando de outrem. 

Derrubar corrupto, salafrário, hipócrita e covarde é apenas uma consequência das arbitrariedades que eles mesmos perpetuam, e que ficaram evidentes na violência que autorizaram suas polícias a promover nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras nesta quinta-feira.

E agora, uma constatação.

Mais que a redução dos 20 centavos na tarifa, que dizem ser tão pouco e reajustada abaixo da inflação - o que é uma grande falácia, diga-se de passagem, comprovada nesta análise publicada pelo jornal Le Monde Diplomatique http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1181 , queremos acima de tudo caminho aberto para ocupar as ruas e fazer delas o nosso espaço de reivindicações contra todo e qualquer ataque promovido pelos governantes contra a população.

Que nós, brasileiros, a partir de agora, superemos os estigmas e a cristalização de conceitos impostos pela ditadura militar em nossa educação que esconderam de todos a necessidade de se batalhar contra qualquer tipo de repressão ou opressão.

E se precisarmos derrubar esses canalhas, vamos derrubar.

Somos também lutadores, não só no trabalho diário, mas também a favor das garantias constitucionais e outras mais que não estão na Carta Magna, mas que, diariamente, nos são tiradas em prol de interesses escusos.

E que a revolução caminhe a passos largos.

sábado, 23 de março de 2013

Grife Rouanet vira moda e a cultura, farrapos



Depois do Cirque de Soleil, da turnê de shows da Cláudia Leitte e do blog da Maria Bethânia, a Lei Rouanet agora poderá ajudar o setor de moda, que estaria em "crise".

As informações estão na edição deste sábado da Folha de São Paulo. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/99982-em-crise-moda-deve-ser-incluida-na-lei-rouanet.shtml

A ideia é identificar estilistas com dificuldades financeiras e que tenham um trabalho "autoral" para autorizar a captação de recursos via renúncia fiscal.

Grandes grifes de luxo que atuam no Brasil admitem publicamente suas dívidas e estão desesperadas para angariar dinheiro e manter seu trabalho.

O Minc diz que haverá critérios de avaliação para evitar que corporações com fins exclusivamente comerciais sejam beneficiadas.

Não, não estou dizendo que moda não é cultura, longe disso.

Mas daí a me convencer que ela não está ali para lucrar é outra conversa.

E tem outra.

Da mesma forma como nos casos do espetáculo circense para poucos privilegiados, não concordo em se utilizar uma lei de incentivo à cultura para servir a um setor da economia que ali está para esbaldar as excentricidades de uma elite econômica.

Sem essa, por favor, de que gera emprego nos desfiles e nas fábricas. Explora o trabalho de um punhado de gente, isso sim.

Ou nos esquecemos de mais um episódio de confinamento de bolivianos em situação análoga à escravidão por mega corporações internacionais?

Foi em São Paulo, ontem, que os fiscais do ministério do Trabalho libertaram 29 pessoas em uma fábrica terceirizada pelas grifes Cori, Luigi Bertolli e Emme.

Pelejavam 13 horas por dia, pagavam dívidas da viagem com o serviço, e ganhavam R$4 por peça de roupa confeccionada.

Por quanto esse vestuário era vendido nas lojas? R$400, R$4000?

É essa espécie de atentado recorrente aos direitos humanos mais básicos que o Minc vai apoiar?

O pescador, que mesmo sem vara e anzol, ainda pega e distribui o peixe

Quem precisa de verdade dos recursos disponibilizados por meio da Lei Rouanet está nos mais profundos rincões do país fazendo cinema, circo, teatro, dança e música popular para quem carece absurdamente de cultura e não tem como pagar por ela.


Sem dinheiro, enfrenta batalhas insanas diariamente para se manter, e, aos poucos, desaparece. Com ele, vai embora também a esperança de tornar o brasileiro não só um consumidor alienado da cultura de massa, mas sim um indivíduo que não se submete à ordem sob qualquer justificativa e se torna o tal do cidadão.

Some o sorriso da criança com o palhaço que faz estripulias no picadeiro improvisado, o operário que toma consciência de sua importância no mundo pela encenação de uma peça na rua ou a dona de casa que conhece a luta pelos direitos das mulheres na apresentação de um filme em uma pequena sala.

Está na hora de parar de tratar cultura como mistura no prato de quem só tem arroz e feijão.

É item de primeira necessidade na cesta básica.

Elemento transformador, mola propulsora das revoluções, símbolo de qualidade de vida.

Disponibilizar um vale de R$50 por mês por pessoa em meio a tantos recursos não destinados ao incentivo da cultura que alcança a maioria da população a mim parece brincadeira de mau gosto ou mais do velho assistencialismo capenga.

Custeia no máximo duas entradas para o cinema do shopping ou uma para a peça encenada por globais, não paga nem o ingresso mais barato para um espetáculo de dança no Teatro Municipal, muito menos uma ópera na Sala São Paulo.

Digo isso para ficar nos exemplos tradicionais do consumo de cultura de classe média de uma metrópole, que têm uma procura maior do grande público, mas estão quase sempre inacessíveis ao povo por conta do preço, da localização e por muitos outros motivos.

Aí você tem essa "grana" disponível para torrar em uma cidade pequena qualquer do interior do Brasil e vai fazer o que?

Talvez compre uma "revista porcaria", como sugeriu nossa ministra Marta Suplicy, ao anunciar o benefício.

Não seria o caso de lá aparecer, nem que fosse uma vez por mês, uma trupe de artistas que não cobrasse nada, mas que tivesse recursos para seguir disseminando essa cultura em outros lugares!?

Existem sim algumas que o fazem, das mais diferentes formas e abordagens, com apoio estatal ou não, mas são poucas gotas d'água perto de nossa imensidão.

O faturamento das altas cifras, por outro lado, continua em formato de enxurrada.

Isso acontece porque a Rouanet é uma lei interessante na teoria, mas completamente difusa e servente dos interesses do mercado na prática. 

As empresas que pretendem "incentivar a cultura" querem seu nome ainda mais alto no palco, apostam geralmente em artistas e espetáculos consagrados, que vão lhes garantir não só o benefício da renúncia fiscal como ainda mais ganhos a partir da venda dos ingressos.

Se a norma já rende altos dividendos aos bancos, operadoras de telefonia, construtoras e outras companhias que estão por trás de shows e apresentações culturais em geral, imagine você uma parceria com Huis Clos, Louis Vitton e outras grifes consagradas no SPFW.

Um sucesso estrondoso!


Mas só para os VIP's, of course.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Legalismo faz nova cruzada contra a subsistência do ser humano



Me impressiona e me revolta cada vez mais a truculência adotada pelas forças policiais paulistas para reprimir práticas condenáveis pela lei mas que, em certa medida, são utilizadas como única alternativa por algumas pessoas para conseguir sua sobrevivência.

Nesta quinta-feira, 29 de novembro, eu esperava na fila de um caixa de supermercado quando de repente uma confusão se viu armada na frente do devido estabelecimento. Dois guardas civis metropolitanos tentavam prender um vendedor de CD’s e DVD’s piratas.

O homem, que atua nas proximidades da loja há bastante tempo, correu para dentro e “escapou” por um instante dos agentes. Em menos de cinco minutos, no entanto, eles conseguiram convencer o gerente a permitir sua busca, mesmo com os protestos de parte dos clientes.

Não acompanhei o desdobramento do caso, que muito provavelmente deve ter seguido  esta ordem de acontecimentos: Porrada, apreensão, detenção. Acusação: Comércio ilegal, que não geraria imposto ao governo e daria prejuízo às megacorporações que monopolizam os originais.

Aí é que vem o questionamento.  A quem interessa a saída de circulação deste rapaz, que estava apenas exercendo o seu trabalho, já que muito provavelmente não teve melhores oportunidades de ocupação, muito menos estudo suficiente para garantir remuneração privilegiada?

É de conhecimento geral da nação que o Estado e a Prefeitura de São Paulo pagam muito mal seus policiais militares e guardas civis e que, se aproveitando da fragilidade financeira e tradicional aprendizado repressor de seus comandados, oferecem a eles a chance de elevar seu ordenado por meio da chamada “Operação Delegada”, na qual atuam fora do horário de serviço a fim de combater os ambulantes que não possuem registro na capital.

Com as festas cristãs de fim de ano chegando, esta ação se potencializa, e intencionalmente fornece aos responsáveis pela manutenção do status, mais conhecido e proliferado como ordem da sociedade brasileira, o direito de fazerem o que bem quiserem contra os contraventores.

Até que ponto essa ação cotidiana dos agentes protege o cidadão? Não deixa que ele compre um disco que vai estragar seu aparelho de DVD, dessas mentiras bizarras insistentemente contadas  antes do início de um filme de um grande estúdio norte-americano?

Ou então força o brasileiro médio a gastar o que não tem com um modelo original, que custa quatro, cinco, seis vezes mais caro, apesar da qualidade oferecida ser a mesma, sendo que a maior parte desse valor equivale ao lucro das empresas.

Contos da carochinha se mantém atualizados para justificar que o produto pirata desperdiça empregos na indústria fonográfica, além de atrapalhar atores, bandas e artistas que deixam de receber a sua porcentagem na comercialização das mídias.

Você aí, acha mesmo que os grupos musicais ficam dependendo dos 5, no máximo 10% a que tem direito de um CD para tocar a vida? E os grandes elencos hollywoodianos, esperam pelo sucesso de uma película para irem buscar sua grana no departamento de RH!?

Pior é ainda ouvir sobre a absurda tese de que esses camelôs, nas contas dos diversos governos, movimentam dezenas de milhões de reais todos os anos e impedem novos investimentos em todos os setores da economia e no atendimento à população.

Mas não são essas mesmas esferas do poder executivo, seja ele federal, estadual ou municipal, que enchem as burras ano a ano ininterruptamente com uma carga tributária considerada uma das piores em termos de custo benefício de todo o mundo, na qual faturam através da incidência de alíquotas sobre mercadorias, serviços, tarifas bancárias, multas, dentre outras fontes de origem, sem oferecer ao cidadão brasileiro o mínimo para seu bem-estar na educação, na saúde, na habitação, no tratamento de água e esgoto, no transporte e na geração de empregos?

Então não temos porque ter mais dificuldades em entender que o responsável por gerar todo esse comércio paralelo é o mesmo que o reprime violentamente. Não dá as condições para que a pessoa estude e se profissionalize e não concede a ele oportunidades que não sejam para atividades extremamente aviltantes.

Muito pior que isso, abre as pernas às empresas que prometem mundos e fundos ao país, ao estado e ao município, muitas vezes com isenção  fiscal plena, financiamentos de bancos estatais, doação de terreno, dentre outros benefícios, em troca de uma quantidade insuficiente de empregos que fosse adequada às necessidades das pessoas, sendo parte deles oferecidas a profissionais altamente qualificados em universidades e cursos técnicos, e a outra a operários integrantes da massa que atualmente não têm mais chances apenas com o ensino fundamental.

Os ambulantes onde entram nesse cálculo? Não entram. Apesar de também pagarem impostos, como eu e você, quando vão a um supermercado comprar o leite para o filho, por exemplo.  Mas como não têm opções nem dinheiro  suficiente para bancar o aluguel de uma loja onde poderiam revender produtos originais ou empreender qualquer outra ocupação, nem mesmo formação suficiente para conseguir emprego em uma fábrica, eles acabam sendo tratados como criminosos.

Esse cenário é perfeito para as três esferas de governo, que querem continuar a faturar seus salários estratosféricos, mesmo que os senadores não paguem Imposto de Renda por quatro anos e joguem para o contribuinte a responsabilidade pelo custo.

De quebra, controlam a classe mais instável dentre os mantenedores da ordem: os policiais e guardas, que não ficarão descontentes com os valores de seus contracheques no fim do mês, não se amotinarão e, em tese, não vão atuar como seguranças privados e em esquadrões da morte.

A ideia também é excelente para o empresariado. O fonográfico, que vê mantido o crescimento de suas taxas de lucro, e o das companhias que se instalam no país já com o discurso pronto, reclamando do excesso de tributos e de direitos trabalhistas, e são prontamente atendidas.

Depois dessa exposição, será que ainda há dúvida sobre quem realmente é o bandido e quem é a vítima desse processo?

Vamos continuar propagando a ideia legalista e burra, que não explora todas as nuances dessas ações, para justificar o procedimento repressor?

Já passou há muito tempo a hora de avançar o sinal, no sentido de identificar e enfrentar todo esse monstro político-corporativo, que com a ajuda midiática, deixa o cidadão alienado perante as injustiças mais covardes cometidas contra si mesmo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Rede Goebbels, Collor e o "neonazismo" das ondas de TV



Santa hipocrisia, malandragem e safadeza!

Goebbels News exaltando o "Fora Collor", ao dizer que os manifestantes que pediam o impeachment do caçador de marajás "não quebraram nada" durante os protestos e foram efetivos em seu ato, porque o presidente caiu.

Pergunta 1: Querem enganar a quem, já que foi esta emissora que colocou o ladrão de contas poupanças do trabalhador no comando do executivo nacional, criando um mito em torno de sua imagem por meio de seguidas apresentações no Globo Repórter e no Fantástico, além de manipular o último debate com Lula e colocar uma camiseta do candidato do PT em um dos sequestradores de Abílio Diniz às vésperas da eleição!?

Pergunta 2 - Esse "não quebraram nada" é um ataque gratuito aos movimentos sociais que hoje batalham pelo que acreditam - sempre com interesses contrários aos da empresa, e, em algumas ocasiões, quebram um vidro aqui e outro ali após terem os ossos quebrados pelos cassetetes dos policiais, e que, ao contrário das maioria das pessoas que foram incitadas a exigir a saída do vagabundo, possuem princípios ideológicos independentemente da manipulação midiática!?

Sim, tinha gente que não votou no Collor e estava lá na rua porque sabia que o cara era um canalha de merda desde que o conheceu e sofreu com seus desmandos.

Mas vamos e convenhamos, como diria meu amigo Luiz Augusto Rocha, mais desmandos promoveu esta emissora ao conduzir o voto da população da maneira que lhe convinha para este coronelzinho de província, e em seguida derrubá-lo a partir do momento em que parou de lhe dar de bandeja tudo o que queria, estimulando uma revolta branda, de efeito imediato, mas sem sofrer as consequências por estar diretamente relacionada ao surgimento do "fenômeno" em questão.

Chega de ser zumbi e repetir a ladainha que esta porcaria insiste em proliferar!

De uma só vez, a emissora quer se autoproclamar como o arauto da moralidade e da ética, e aproveita para dar uma "cutucada" nas pessoas que lutam de verdade por um país mais justo.

É muita cara de pau!

Se Collor é um cabra safado, e que após perder os direitos políticos por não sei quanto tempo está novamente nas fileiras, agora do Senado, para um mandato de oito anos, a grande responsável por ele e outros corruptos continuarem na ativa é a rede Goebbels.

Quem foi que apoiou o golpe militar, e, com isso, ganhou concessões de TV a perder de vista em todo o Brasil, inclusive nas Alagoas, cujos donos são amigos de quem? Quem!?

Não se enganem meus caros, a "brincadeira" que relaciona o nome da emissora ao do articulador mor da publicidade nazista nada tem de irreal.

Só mudaram o ator, os meios de coagir as pessoas a adotar suas opiniões e seu objetivo final.

Antes era o cinema, agora são as novelas e os telejornais.

Elas não incentivam a destruição de um povo, mas o mantém alienado e consumista.

A ordem é eliminar os indivíduos que desafiam seu projeto de poder, prática que segue a todo vapor.

Da câmara de gás para a câmera que grava a imagem e a reproduz disfarçando sua sujeira, a história não vai esquecer a maneira nefasta como esta emissora insiste em atribuir a si mesma os méritos de matar os monstros que ela criou, alimentou e com quem enriqueceu.

Nós devemos resistir e enfrentar, e enquanto estivermos de pé, não permitiremos que este tanque panzer passe por cima.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Expansão de vagas nas federais: O engodo que não mata a fome de conhecimento

Laboratório improvisado em banheiro da Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande do Sul

A farsa da estratégia do governo federal para elevar o número de vagas nas universidades federais finalmente veio à tona, com cinco anos de atraso, mas veio.

O jornal O Estado de São Paulo, em sua edição desta terça-feira, 14/08, traz reportagem que comprova com depoimentos e dados as teorias e previsões que nós, pobres mortais integrantes do movimento estudantil, pregávamos em 2007, quando foi lançado o Reuni, o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.

Dados do MEC mostram que, de 2006 a 2010, o número de cadeiras oferecidas nessas instituições saltou  de 148.796 para 242.893, crescimento de 63%.

A disparada foi resultado direto da aplicação do plano, que no entanto esconde a degradação de um elemento essencial para sua eficiência: a infraestrutura dos campi.

O Ministério da Educação diz que investiu R$9 bilhões de reais no projeto, mas ao que parece se esqueceu de destinar parte dessa verba à construção e ampliação de bibliotecas, laboratórios, restaurantes e principalmente à contratação de novos professores e valorização dos docentes que já lecionam.

Por sinal, investir nesses setores era um dos objetivos do Reuni, não só em termos de contrato e diretriz estabelecida junto às universidades, mas como base de sustentação para  a expansão qualitativa das vagas, justificando a entrada de mais estudantes por existirem, nos campi, salas de aula e todos os demais equipamentos de pesquisa, além de profissionais suficientes e preparados para recebê-los.

Mas não foi bem assim que aconteceu.

Alardeando aos quatro cantos do mundo e aos sete mares sua empreitada, o governo criou, no período em questão, 14 novas universidades, 126 novos campi e incríveis 1.128 novos cursos.

Boa parte dessas graduações foi direcionada para unidades já existentes, que tinham prazo curto para enviar ao MEC projetos de ampliação que pudessem ser contemplados pelos recursos do Reuni.

Sucateadas durante toda a administração FHC e Paulo Renato, durante os anos 90, as universidades viam no plano a oportunidade de angariar dinheiro para promover obras necessárias ao seu pleno funcionamento.

O que se viu na gestão de Lula e Fernando Haddad, todavia, foi um inchaço absurdo das vagas existentes nessas instituições sem o devido acompanhamento dos gastos com seus pilares fundamentais.

Se antes o PSDB excluía a maioria da população do processo e deixava as federais a deus dará, agora o PT resolveu incluir as pessoas, mas sem dar condições para que elas possam estudar.

A tese de doutorado da professora Kátia Lima, da Escola de Serviço Social da UFF, do Rio, traz algumas estatísticas de extrema relevância sobre essa explosão espontânea.

Entre 2006 e 2010, a Universidade Federal Tecnológica do Paraná expandiu em 601% o número de vagas em suas instalações. Na UFTM, em Minas, foram 313% e na UFRB, na Bahia, 277%.

Mesmo não sendo exemplo em todos os campi, o ritmo de expansão das obras foi bem menor que o da criação de novas cadeiras,  e, conforme as denúncias que veremos a seguir, tem sua lentidão corroborada pelas  péssimas condições estruturais desses espaços.

Isso porque tanto as antigas unidades quanto as recentemente abertas são alvo de calamidades que afrontam os princípios mais básicos da segurança e da higiene, para dizer o mínimo.

Na Federal de Arapiraca, em Alagoas, o campus fica ao lado de um presídio. Em Santarém, no Pará, a reitoria alugou um prédio abandonado onde funcionava um hotel para atender os alunos.

Na sede da Unifesp em Guarulhos, onde 70% dos estudantes não mora na cidade, a faculdade fica tão longe do centro e carece tanto de transporte público, que a taxa de evasão disparou.

Na  UnB, em Brasília, estudantes de terapia ocupacional têm aulas em salas de uma escola de ensino médio, onde dividem espaço com adolescentes.

Em outras universidades ainda há laboratórios instalados em banheiros, paredes de salas com rachaduras, órgãos de animais cobertos por larvas devido à falta de formol, dentre outras precariedades e improvisações sem limites para o ridículo.

Agora pensemos de que forma as pessoas que lidam diariamente com essa pasmaceira vão sair do ensino superior. Qual o preparo terão para atender aos requisitos de sua profissão!?

O descaso pode ser comprovado pelas fotos registradas por toda a comunidade acadêmica, que, cansada de ser vítima desse engodo, batalha há mais de dois meses em uma greve que a presidente Dilma Rousseff e a imprensa insistem em tratar como mera campanha por reajuste salarial.

De plantão em Brasília, eles exigem a reabertura das negociações sobre o plano de carreira da categoria e protestam hoje e amanhã na Esplanada dos Ministérios.

Os direcionamentos para este tema são muitos, mas a análise fria dos fatos é uma só.

A educação não sobrevive de índices numéricos alcançados pelo governo para mostrar ao Banco Mundial que tem direito de exigir mais crédito e investimentos e direcioná-lo a outros setores.

Este alicerce da sociedade precisa de "sustança", constituída por todos os elementos físicos e humanos que garantem o atendimento integral das demandas de quem ingressa no ensino superior, e que está ansioso por ter acesso ao conhecimento e poder difundí-lo ao mundo, de forma a beneficiar a todos.

Mas no que depender do Reuni, os estudantes vão morrer de desnutrição, quando não de indigestão com o que tem de engolir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Yes, you can! You can leave Afghanistan right now!


A foto ilustra bem com quem se relaciona este sujeito enganador.

Obama, faça o favor de enfiar suas desculpas no meio de um lugar impronunciável onde elas disfarcem sua canalhice.

A culpa do massacre promovido por um desequilibrado soldado americano contra crianças afegãs é toda sua.

Sua e de todos os outros filhos da puta que comandaram essa nação que se acha a "defensora da liberdade" no mundo.

Mas que na verdade só sabe agir a fim de reprimir qualquer que seja um país de onde jorrem poços de petróleo.

Ou que sejam influenciadas pelo "demônio" do comunismo, como se viu ao longo de sua história recente.

Suma, desapareça do Afeganistão, assim como saiu do Iraque!

Nunca foi bem-vinda e nunca será uma intervenção de tamanha covardia como essa.

E não venha com condolências e justificativas de que o responsável pelo ataque "não representa a qualidade da força militar dos EUA e seu respeito pelo povo afegão".

Chega de terrorismo de Estado!

O envolvimento das tropas-americanas em atitudes bestiais como a deste domingo não é novidade para ninguém, mas a divulgação dos fatos para o conhecimento de toda a humanidade e o reconhecimento dos erros ainda engatinha, vistas as bizarrices cometidas no Iraque, na Somália, no Japão, no Vietnã, no Líbano, e em outras nações.

Não me surpreende um milico yankee ter tido um colapso nervoso e decidido "acabar com a raça" de inocentes afegãos, afinal isso é o que aprende desde que passa a fazer parte dessa organização.

Este indivíduo que aniquilou crianças e mulheres nada mais é que o produto final das ações promovidas por seu governo.

Assim como os soldados que combateram os vietcongues entre as décadas de 60 e 70, ele não sabe por que e para que está lá, apenas se submete a repetir que serve à sua pátria, independentemente do intuito das autoridades que a comandam, mesmo que cidadãos do mundo estejam sendo trucidados em busca deste fim.

Ele apenas obedece ordens de seus superiores, nascido para matar como o clássico filme de Stanley Kubrick, mas que desconta o bullying sofrido contra pessoas que nada tem a ver com a sua história fatídica, após ter conseguido a licença e deixar o campo de treinamento rumo à batalha.

Não há mais como conceber que essa violência siga marcando a política externa dos Estados Unidos, e que o poder econômico deste aglomerado de ultraconservadores siga sendo usado para desrespeitar a autonomia do restante do mundo, feitas as devidas exceções a Israel e à União Europeia, para manter o restante sob suas asas.

Pouco importa se tais medidas foram impetradas inicialmente por Nixon, Reagan e Bushs, o que interessa de verdade é que o pensamento e a mania de perseguição típica destes sujeitos continuam a se proliferar na cabeça do americano médio e o atual presidente nada faz para interrompê-los, apesar de ser considerado "progressista".

Acreditava que não entraria tão cedo neste assunto novamente, mas fui obrigado pela coerência a condenar completamente o ataque homicida, e exigir a saída imediata de todos os militares que ainda permanecem no Afeganistão sob o risco de uma onda de novas mortes de civis.

E lembrar, que apesar de prematura, minha comemoração efusiva quando da queda dos aviões de passageiros sobre as torres gêmeas de Nova Iorque, em 2001, quando eu acabara de passar dos 16 anos, tinham lá seu princípio, em boa parte pela retaliação necessária a tantos assassinatos cometidos pelos americanos antes e depois deste fato.

Não que eu ache a morte de gente a solução para o planeta Terra, muito longe disso, mas hoje compreendo completamente o ódio alimentado contra os Estados Unidos devido à forma como conduzem suas ações bélicas e ao traço de destruição que deixam quando seus boçais estupram, massacram e humilham as pessoas.

Yes you can Obama! You can leave this country! Right now and forever!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os inimigos da universidade pública agora são vários outros

A Justiça de São Paulo decidiu condenar o vice-diretor superintendente do Centro Paula Souza por utilizar a estrutura da Faculdade de Tecnologia(Fatec), de Sorocaba, para ministrar cursos pagos.

O professor César Silva presidia uma fundação privada que, a cada semestre, oferecia pelo menos mil vagas ao custo de 13 mil reais em especializações executadas nos laboratórios e salas da faculdade pública, comandadas por professores concursados que recebiam um "extra" se entrassem no esquema, usando o nome da Fatec para atrair as pessoas.

Os estudantes faziam o curso e ainda recebiam certificado com o logo da instituição, mas o documento não vale PORRA NENHUMA, porque afinal o curso é uma fraude.

Depois do escândalo, eu pergunto ao Ministério Público, responsável pela ação: "Por que ainda não começou a investigação sobre os docentes e as fundações da UNESP!?"

O campus de Bauru que o diga, antro de diversos aproveitadores, principalmente na Faculdade de Engenharia, que usam o bem público visando lucro e que jamais foram questionados pela prática criminosa.

Em tempo, o docente e seu coleguinha Marcos Garcia Costa, ex-diretor da Fatec Sorocaba, terão de ressarcir os alunos, a faculdade e o Estado por todos os benefícios obtidos de maneira irregular.

A Fundação FAT, criada em 1987, também foi extinta.

Mas o inimigo agora é outro meu amigo.

Ressalta no acórdão o desembargador Magalhães Coelho: "No simulacro, tudo se resolve: os professores são contemplados com vencimentos dignos, e o Estado se desobriga de manter responsável pela política salarial para os professores, tudo ao arrepio do regime jurídico-administrativo".

O que nos leva à conclusão, isenta de maiores devaneios, que o projeto privatista do governo de São Paulo nas universidades públicas segue a todo vapor, sem pedir licença nem medir consequência de seus atos.

Apesar do problema, a Justiça ainda profere votos favoráveis às iniciativas das instituições particulares incrustadas na USP, colocando como prioridade o suposto acesso que dão a mais pessoas sem entender os prejuízos que causam tanto aos cofres públicos quanto à difusão do conhecimento.

Esse plano tem o objetivo claro de desonerar o orçamento estadual em relação aos salários dos docentes, ao mesmo tempo em que desencoraja a contratação de novos mestres e doutores, completando o desastre ao obrigar os melhores integrantes da academia a irem para as fundações e faculdades particulares, onde a remuneração é mais gorda.

E o pior de tudo. Toda essa estratégia está sendo desenvolvida sob a tutela da lei, com base no argumento de que as universidades estaduais e federais - onde os casos também existem, não possuem capacidade para absorver o contingente estudantil ávido por uma especialização de nível superior.

Em busca de emprego, quem opta por fazer um curso pago dentro da universidade pública, ao mesmo tempo em que é enganado pela promessa vazia e fraudulenta de um certificado emitido pela reconhecida instituição, ainda colabora para a manutenção dos interesses das grandes corporações que patrocinam essas iniciativas.

Essas pessoas se somam à já imensa massa de manobra desesperada por um trabalho a qualquer custo, aprendendo a respeito de temas atrelados às características específicas desse mercado, que por ser desprovido de vínculos com a academia e a comunidade que gira em torno dela, deturpa completamente as origens dos estudos promovidos pela instituição.

É essa lógica, a da selvageria perpetrada pelas empresas para modelar seus futuros funcionários ursurpando e sugando a estrutura da universidade, que se desenha mediante traços horrendos no futuro de nosso país, onde esse desvio da finalidade é comemorado em prol do perfil tecnicista que os governos estaduais e federal pretendem espalhar e alienar a população através de trabalhos aviltantes, que lhes proporcionem um perfil consumista, mas que intimidem qualquer tentativa de se subverter a ordem já estabelecida.

O caso identificado e punido na Fatec de Sorocaba por enquanto é encarado como o exemplo de docentes que se desvirtuaram do real intuito das parcerias, tidas como legalizadas em sua essência, porém imorais nas profundezas de suas realizações.

Logo ficará claro que a atitude desses professores se trata de um mero reflexo do sistema que concordaram em seguir, dotado de propostas desonestas e mentirosas para com o contribuinte que banca o seu funcionamento, e que assiste impassível ao benefício de poucos privilegiados com condições de custear estudos que deveriam ser acessíveis a todas as camadas da sociedade.